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É
com muita honra, que apresento a entrevista que me concedeu uma das
maiores atrizes do Teatro Brasileiro,premiada com dois Prêmios
Moliere, três prêmios Mambembe e vários prêmios
em cinema. DENISE WEINBERG.
Nesta entrevista ela dá uma aula de interpretação,professora
que é de novos atores que lotam suas oficinas de Teatro,valorizando
o trabalho da Fonoaudióloga no Teatro.
Seu testemunho muito me orgulha, assim como sua amizade e gentileza
em prontamente atender minha solicitação.
Muito obrigada Denise, você é realmente uma Diva no palco,
e como pessoa de uma simplicidade e generosidade sem iguais.
Beijo
carinhoso Marília
Em primeiro lugar gostaria de apresentar o resumo de seu histórico
de sucesso:
DENISE
WEINBERG
Teatro:
(SP)
2001/02 - As Lágrimas Amargas de Petra von Kant,
de Fassbinder
2000 - O Acidente, de Bosco Brasil
1999 - A Serpente, de Nelson Rodrigues
Navalha na Carne, de Plinio Marcos (indicada para o Prêmio Shell
e Prêmio APCA como melhor espetáculo)
1998 - Ivanov, de Tchekhov
1997 - Do Fundo do Lago Escuro, de Domingos de Oliveira
(Prêmio Mambembe de melhor atriz e indicada para Prêmio
Shell)
1996 - Rastro Atrás, de Jorge Andrade
1995 - Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues )Prêmio
Moliere e Prêmio Mambembe)
1993 - Senhora Klein, de Nicholas Wright
1992 - Querê, Plínio Marcos
1991 - A Megera Domada, Shakespeare (Prêmio Moliere)
1990 - As Raposas do Café, de Paulini e Bivar
1989 - Senhor de Porqueiral, de Moliere
1988 - Solness, o Construtor, de Ibsen
1987 - Viuva, porém Honesta, de Nelson Rodrigues,
Uma Peça por Outra, de Jean Tardie (Prêmio Mambembe_)
1986 - O Tempo e os Conways, de Priestley
Cinema
2002 - Onde anda você?, de Sergio Rezende, a
estrear esse ano.
2001 - Papá, rua Alguém 5555 de Egydio
Eronico (produção internacional com Charlton Heston) Lost
Zweig, de Silvio Back, a estrear esse ano.
BMW vermelho de Eduardo Ramos (melhor atriz no Festival CineCeara)
2000 - Quase Nada, de Sergio Rezende (Melhor atriz
no FEstival de Natal)
Em nome do Pai, de Julio Pessoa (melhor atriz no Festival Cinevídeo
de Vitória)
1998 - Barão de Mauá, Sergio Rezende
1996 - Canudos, de Sergio Rezende
Perguntei:
1) Como foi preparar sua voz para um papel tão difícil
como a Petra,que representou tão magistralmente?
Primeiro, eu sempre me preocupei com trabalho vocal. No caso de Petra,
eu já tinha um trabalho acumulado de 18 anos de pesquisa e também
fui ajudada por Rose Gonçalves (assistente de Glorinha Beutenmuller
e professora da CAL), o que foi extremamente construtivo.
Durante os ensaios, ela foi me orientando, me ajustando, me limpando
de vícios antigos, que foram me ajudando inclusive na própria
construção do personagem.
Obs.Gostaria de homenagear com este depoimento
importante , minha prezada amiga Rose Gonçalves, colega de longa
jornada.Seu trabalho junto ao elenco deste espetáculo foi maravilhoso.
Obrigada também pelos muitos atores que você me indicou.Beijo
Marília
2)
Qual a importância do trabalho da Fonoaudióloga no teatro?
A fono é importantíssima no trabalho do ator. Normalmente
nós temos vícios e maneiras de falar adquiridas na vida
durante a nossa infância, na nossa educação, que
ficam impressos na nossa prosódia. Nós não temos
consciência deles, então o trabalho da fono é limpar
essas áreas complicadas, melhorar o corpo e o tônus da
voz, trabalhar a projeção, enfim tudo que é necessário
para que o aparelho vocal do ator sirva como um instrumento perfeito
para sua expressão. Mas para isso, é necessária
a presença de um profissional, porque voz é uma coisa
muito delicada, intimamente ligada à nossa psiquê, porque
tanto tem que ter conhecimento e também ter uma forma extremamente
adequada e delicada de se trabalhar, pois já vi atores e pessoas
se desequilibrarem psiquicamente por causa da má condução
do trabalho vocal.
Acho um trabalho fundamental para o ator, a partir do momento em que
ele queira se conhecer mais profundamente, acessando camadas muito internas
que são necessárias e fundamentais para seu trabalho no
palco.
3)Que
dicas você daria aos novos atores?
Como pego alunos recém formados e recém saídos
de escolas de teatro, fico bastante perplexa com a falta total de preparo
vocal. Esses jovens atores se preocupam muito com corpo, acrobacias,
criatividade, mas quando abrem a boca para falar um texto é uma
catástrofe.
O trabalho de voz é uma disciplina diária. Não
adianta fazer um ou duas aulas por semana e querer que a foz fique legal.
O trabalho de voz é quase uma atitude na vida. O tempo inteiro
você tem que estar trabalhando, pois para corrigirmos o que está
impresso em nós desde dois anos de idade, é preciso muito
trabalho, dedicação e observação, pois é
necessário mudar um padrão e isso não se faz durante
três meses antes de estrear uma peça. O ator tem que estar
trabalhando a vida inteira.
4)
O corpo e a voz
Eu
acho que existe um "gap" entre corpo e voz. Muitas vezes o
ator está falando uma coisa e o corpo outra. Primeiro temos que
colocar os dois na mesma sintonia, para depois podermos até separá-los.
As palavras têm que ser emitidas junto com uma imagem, que é
produzida pela nossa fantasia e expressas com o auxílio do nosso
corpo. Não consigo entender como uma pessoa decora um texto,
sentado numa mesa, ou em pé, mas sem mexer nada no corpo.
A palavra tem que passar por dentro de você e só assim
ela será emitida de uma forma compreensível. A platéia
tem que ver a palavra e não só ouvi-la.
Por isso que às vezes o teatro fica chato, porque fica aquela
falação e você, como espectador, fica se esforçando
para entender e compreender o que aquele ator está falando.
Mensagem
Penso
que os jovens atores têm que ter essa preocupação
na emissão, na compreensão, na projeção
e só com ajuda de um profissional (fono) é que esse processo
pode ser desenvolvido, mas tem que ser desenvolvido durante uma vida
inteira.
Grande beijo pra vc, aproveito te envio o site da minha peça
que eu dirigi. Ainda está incompleto mas vale a pena ouvir a
trilha que é fantástica.
http://malkhut.e1.com.br
Beijos
Denise
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