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Glorinha Beuttenmüller Fonoaudióloga, Autora do Método “Espaço Direcional Beuttenmüller. Vamos expor de que maneira trabalhamos com um gago através de treinamento num reforço positivo para diminuir sua problemática. A gagueira tem solução? Em 1961, Wendell Johnson, professor de Psicologia da Fala da Clínica de Foniatria da Universidade de Harward, publicou interessante trabalho sobre gagueira. Ele mesmo foi gago durante muito tempo. Daí seu interesse em encontrar a solução para corrigir-se e aos outros. Os resultados de seus estudos feitos naquele centro cultural, indicaram que o início da gagueira é um acidente evitável e que somente se transforma em problema para a criança depois que outra pessoa decide que é realmente problema. Para muitos estudiosos, a gagueira constitui mal de família, Wendell apurou,no entanto, que tal é mais uma questão de tradição do que propriamente de genes. A equipe chefiada pelo ilustre professor continua suas pesquisas, em estudos que compreendem um grupo de 500 crianças e 1.000 pais e mães. Foi verificado que entre uma criança gaga e outra não gaga, do mesmo sexo, idade e nível de inteligência, não há diferença quanto ao desenvolvimento físico da saúde. Depois de entrevistar os pais das crianças gagas chegaram os investigadores de Wendell a uma conclusão que causou surpresa: o problema da gagueira surge no momento em que os genitores decidem que os filhos estão gagos. Damos, aqui, a palavra ao professor Wendell Johnson: "Notando que a criança repete e hesita (embora isso seja normal para o seu grupo de idade), os pais começam a preocupar-se”. Não diga “Ah”, “Ah” admoestam-no ou “Respire fundo antes de começar a falar”. Na mesma hora a criança dá-se conta de que está fazendo alguma coisa que os pais não aceitam. Quando hesita de novo em falar e vê que eles se empertigam um pouco ou desviam o olhar, ela pode ficar tão contagiada pela dúvida e preocupação deles que não conseguem articular as palavras com a rapidez necessária. Começa com o tempo a ter vergonha de falar, falar menos, sente-se mais hesitante e insegura. Dentro em pouco tempo ao pronunciar as palavras aperta os músculos dos lábios, da língua ou da garganta e assim começa a falar menos fluentemente ainda. Passou assim a gaguejar. Colaborando
com essa teoria, nossos estudos revelam que a gagueira tem muito mais
probabilidade de ocorrer no palacete de luxo onde os pais são
mais exigentes quanto à conduta dos filhos do que na casa do
bairro pobre. Esse fato foi realçado quando um dos meus alunos,
tencionando realizar um estudo da fala das crianças das tribos
de Bannock e Shoshone, numa escola de Idaho, descobriu que não
há gagos nessas tribos, nem nunca houve. Na verdade, não
possuem palavra em seu vocabulário que signifique isso. Ao que
tudo indica, a gagueira é parte do preço que pagamos pela
nossa espécie de civilização”. A GAGUEIRA TEM SOLUÇÃO? Glorinha Beuttenmüller
Não impugnamos as conclusões do grupo Wendell. Julgamos,
porém, ser imprescindível estando instalada a gagueira
que o paciente-aluno se submeta, regularmente aos exercícios
de "relax" orofaciais e leitura das mais variadas (prosa,
poesia, etc.), porque a gaguês é própria da pessoa
que fala mais depressa do que pensa, sem discriminação
das causas que produzem o defeito. Desde que o pensamento não
acompanha a articulação da palavra, sai ela com as sílabas
repetidas. Ao lado do relaxamento, é necessário decorar
texto em prosa e em verso, repetindo-os, falando normalmente, controlando
a articulação da palavra tudo sob a orientação
de fonoaudiólogo especializado. ESPAÇO O gago tem o espaço que o separa das outras pessoas. É esse temor que o impede de expressar corretamente. Suas palavras tropeçam do medo como se o espaço estivesse povoado de barreiras nos quais o som de sua voz esbarrasse a cada sílaba emitida. Quero
citar o problema de Demóstenes, o grande orador grego, que conseguiu
derrubar essas barreiras que existiam dentro de si mesmo, através
de um esforço de superação que era uma demonstração
de vontade irresistível, colocando seixos na boca e falando para
os peixes em frente ao mar. E foi assim que conquistou o Espaço
inter-pessoal e mais além, para que não apenas sua voz,
mas as convicções pudessem ser ouvidas. Mas o espaço não é apenas temido, como no caso a que nos referimos. Às vezes o Espaço é também agredido. É quando a palavra invade o espaço pessoal alheio, não para convencer através da persuasão, mas para tentar se impor através do ruído, da tonalidade explosiva que supere e iniba a palavra do outro. Essa agressão do espaço sonoro é outra forma que torna a dificuldade de comunicação inter-pessoal. E nem sempre denota coragem, convicção própria, certeza de argumentação. Muitas vezes, pelo contrário, indica receio de argumentação alheia, incapacidade de rebater a lógica do interlocutor, tentativa de vencer pelo ruído. A agressividade é, quase sempre, outra forma de insegurança. O Espaço é como um enorme campo desconhecido. Tem suas estradas reais e seus desvios e veredas. Para conquistá-lo é necessário conhecer seus meandros, aprender a palmilhá-lo obedecendo às suas leis próprias, evitando seus descaminhos. Em primeiro lugar tomar consciência de que o espaço físico não é retilíneo e portanto, a linha reta não é necessariamente o caminho mais curto entre dois pontos. Se o espaço é curvo, o meio mais adequado à comunicação é o envolvimento. Nesse sentido a comunicação tem que ser um esforço mutissensorial. Todos os sentidos devem ser desenvolvidos em função de uma melhor comunicação para atenuar ou acabar com sua gaguez. Melhor ainda, é o corpo inteiro que tem que falar. Porque é preciso que se saiba que o corpo inteiro tem ressonâncias, o corpo inteiro contém vibrações múltiplas. A expressão verbal liga-se estreitamente ao comportamento de todo o corpo e existe uma inseparável relação entre o que a fala diz e o que o corpo expressa. O organismo é unificado, o corpo humano é um todo funcionando como unidade. Por isso é necessário conhecer todas as parte do corpo. Suas sensações, possibilidades e limitações. A imagem de si mesmo vai ser de grande ajuda na recuperação da sua gagueira para obter o domínio do "Espaço a que chamamos mundo”. Para nosso trabalho, porém, devemos entender o Espaço como o lugar onde nos encontramos no momento e que pode ser aberto ou fechado qualquer que seja a sua extensão, é aquele que está em volta do corpo e que constitui seu ambiente. POSTURA É
necessário, também, para o nosso trabalho de recuperação
da gagueira, adquirir e manter a consciência da postura, isto
é, da forma correta que o corpo deve conservar. Apesar de aparentemente irrelevante, a posição da língua é de primordial importância. A língua para estar posicionada corretamente deve ficar em repouso quando em silêncio no ato respiratório. O efeito e anomalias na posição da língua dentro da boca como no ato da deglutição, acarretam problemas de vários tipos, além de prejudicar a perfeita emissão e articulação dos fonemas. Trabalhar para recuperação deu uma gagueira é também melhorar a criatura humana em todos os seus aspectos. Pois, saber dizer é saber mover-se, é saber manter uma postura correta e, também principalmente saber sentir para jamais tropeçar sua fala. O PRENUNCIO DA GAGUEIRA
Antes de chegar à fala as crianças balbuciam. Muitos pais
confudem o balbuciar com a gagueira e passam a repreender seus filhos.
A disfemia causada pela cobrança é comum principalmente
nas classes abastadas. Mas há casos em que a gagueira é de ordem psicológica. Gilson Amado, ex-diretor da TV Educativa do Rio, foi gago até os dezoito anos. Só quando deixou sua família e passou a ter que depender apenas de si mesmo, conseguiu se libertar do problema. Cada pessoa tem pensamentos e sentimentos diferentes, a voz reflete a sua identidade.
No tratamento da gagueira são utilizados exercícios mecânicos
e terapêuticos de correção e estéticos. Em
um primeiro momento analisa-se o olhar do paciente. O gago tem o costume
de não olhar para as pessoas com quem se comunica, sempre procurando
algum objeto para se "defender" do olhar alheio. O grande
desafio no tratamento de pacientes com este problema é fazer
com que eles dialoguem com as pessoas, e não com os objetos. IMAGEM Quando
um ser humano conhece a imagem correspondente à palavra que deseja
falar, a articulação dos sons é correta.A busca
de uma boa dicção é comum entre os comunicadores.Um
rosto bonito não faz um ator , mas pode ajudá-lo. O mesmo
acontece com o falar bem, :a técnica ajuda o talento.Tudo na
vida é movimento.Logo , uma pessoa estática fala por falar,
mas não se comunica.Para falar bem, é necessário
dizer, sentir e mover-se bem. Com estudo constante e força de
vontade é possível desabrochar o talento. |
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